quinta-feira, 1 de dezembro de 2022
quarta-feira, 30 de novembro de 2022
Satírico
Satírico
Todas as mulheres para ti eram sexys e desejáveis
Tu cobiçavas todas elas fossem formosas ou feiosas
Não tinhas preconceito de cor, todas eram transáveis.
Se eram gordas ou magras, para ti, todas eram apetitosas.
Corrias atrás das mulheres solteiras, das separadas.
Perseguias as mulheres casadas, as viúvas, as beatas e caretas
As muito jovens, as mais maduras... muito te apetecia as safadas
Transavas com lascívia, satiríase. Armavas diversas mutretas.
E luxurioso sugaste com voracidade a essência delas,
Sedento, carnal, alucinado te lambuzastes no mel.
Esfomeado sorveste a seiva do odor feminino em gozadela.
Usastes seus corpos, fizestes um grande forfel.
Amastes majestosamente como se fosses sultão.
Amastes sem castidade e com grandiosa paixão.
Amastes alguma com puro amor.
Amastes dezenas sem muito pudor.
Amastes aquelas com privacidade.
Amastes outras com ambiguidade.
Amastes umas com muito rumor
conforme o amor se apresentou.
As labaredas do amor maníaco queimaram intimamente
o âmago da tua amada, mas não te estancou a sexualidade.
Nem mesmo o choro enternecido e o olhar plangente
da tua benquerente refrearam a tua promiscuidade.
Desenfreadamente sorvestes o cálido amor
que te saciou o desejo carnal, mas não supriu
a tua essência. Para o teu espírito, sobrou desamor.
Mas ainda te envaideces de tudo o que sucumbiu.
Umbelina Marçal Gadelha
🌹
Poesia apicola
Voando de flor em flor
Fazem polinização;
Desse constante labor
Resulta a fecundação.
Numa caixinha quadrada
Que o homem lhe preparou,
Nela o enxame encontrou
Quadros com cera moldada;
Uma pequenina entrada
Evita algum predador,
Uma rampa tem valor
Para chegada e partida,
Quão é grande a sua lida
Voando de flor em flor…
Crescem a cera fazendo
Com arte e com perfeição
Os favos que mais não são
Que alvéolos que vão crescendo;
Com o mel os vão enchendo
O mel doce que nos dão,
Esses insectos que vão
Aqui e ali procurando
Nas flores sempre poisando
Fazem polinização.
São da colmeia ciosas
Se alguém as for atacar,
Não hesitam aplicar
As picadas dolorosas;
Não são nada carinhosas
Ao defender-se a rigor,
Desde manhã ao Sol por
Vão trabalhando a preceito,
E o homem tira proveito
Desse constante labor.
Há uma abelha rainha
Que é a que põe os ovos,
Logo dão enxames novos
Quando Abril se avizinha;
Procura nova casinha
Esses milhares que então
Dentro em pouco já irão
Trocando o pólen colhido
Nas flores que hão escolhido
Resulta a fecundação.
Último poema.
ÚLTIMO POEMA DATADO DE RICARDO REIS
Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.
Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.
Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu escrevo.
*
13-11-1935
Ricardo Reis
In Ricardo Reis. Poesia. edição de Manuela Parreira da Silva. Assírio & Alvim. 2.ª* edição, junho de 2007.
Crianças
As crianças são filhos do mundo e são feitas de sonhos, de esperança e de ilusões que constroem em suas mentes livres e privilegiadas.
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