quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Poesia apicola


Voando de flor em flor
Fazem polinização;
Desse constante labor
Resulta a fecundação.

Numa caixinha quadrada
Que o homem lhe preparou,
Nela o enxame encontrou
Quadros com cera moldada;
Uma pequenina entrada
Evita algum predador,
Uma rampa tem valor
Para chegada e partida,
Quão é grande a sua lida
Voando de flor em flor…

Crescem a cera fazendo
Com arte e com perfeição
Os favos que mais não são
Que alvéolos que vão crescendo;
Com o mel os vão enchendo
O mel doce que nos dão,
Esses insectos que vão
Aqui e ali procurando
Nas flores sempre poisando
Fazem polinização.

São da colmeia ciosas
Se alguém as for atacar,
Não hesitam aplicar
As picadas dolorosas;
Não são nada carinhosas
Ao defender-se a rigor,
Desde manhã ao Sol por
Vão trabalhando a preceito,
E o homem tira proveito
Desse constante labor.

Há uma abelha rainha
Que é a que põe os ovos,
Logo dão enxames novos
Quando Abril se avizinha;
Procura nova casinha
Esses milhares que então
Dentro em pouco já irão
Trocando o pólen colhido
Nas flores que hão escolhido
Resulta a fecundação.

Autor: JOSÉ DA SILVA MÁXIMO/Santo António das Areias

Fernando Pessoa

Um poema por dia...

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Último poema.

ÚLTIMO POEMA DATADO DE RICARDO REIS

Vivem em nós inúmeros;  
Se penso ou sinto, ignoro  
Quem é que pensa ou sente.  
Sou somente o lugar  
Onde se sente ou pensa.  

Tenho mais almas que uma.  
Há mais eus do que eu mesmo.  
Existo todavia  
Indiferente a todos.  
Faço-os calar: eu falo. 

 
Os impulsos cruzados  
Do que sinto ou não sinto  
Disputam em quem sou.  
Ignoro-os. Nada ditam  
A quem me sei: eu escrevo. 

*

13-11-1935

Ricardo Reis

In Ricardo Reis. Poesia. edição de Manuela Parreira da Silva. Assírio & Alvim. 2.ª* edição, junho de 2007.

Imagem: Mário Botas - Mapa da Sepultura do Poeta

Crianças

As crianças são filhos do mundo e são feitas de sonhos, de esperança e de ilusões que constroem em suas mentes livres e privilegiadas.

Sobreviver é histeria

sobreviver é histeria

o que é mais feminino do que ser forçada a ficar sozinha
o que é mais feminino do que não ser capaz de se ver sozinha
o que é mais feminino do que ter medo de ficar sozinha
o que é mais feminino do que querer – e não conseguir – estar sozinha
o que é mais feminino do que sobreviver

o que é mais feminino do que não morrer de raiva
porque ensinar já virou rotina
porque cuidar já virou rotina
porque pedir desculpas já virou rotina

o que é mais feminino do que competir por uma vida que não quer
porque nasceu ou se descobriu mulher
porque querer ser mulher é fraqueza
porque não ser mulher, mas acharem que você parece mulher, é fraqueza

o que é mais feminino do que não ser suficientemente mulher
o que é mais feminino do que não ser suficiente

quando penso em quantas vezes mascarei a compulsão com o fumo
quando penso em quantas vezes cobri o seio para não fechar o punho
quando penso em quantos deles se sentaram ao meu lado sem assunto

eu me pergunto

o que é mais feminino do que o silêncio
o que é mais feminino do que gritar e te mandarem fazer silêncio
o que é mais feminino do que não pedir socorro e te perguntarem
mas por que é que você fez silêncio

Nina Camargo 

Loucura

LOUCURA

Loucura! É não partir à procura!
Desses teus beijos, abençoados.
Dados ao luar, com essa doçura,
Que conforta os lábios sagrados.

Loucura! É não procurar o rosto,
Da humanidade em ti escondida.
E ficar eternamente no desgosto,
De não encontrar sentido da vida.

Loucura! É não partir à procura!
Desse teu corpo frágil e sensual.
Onde está contida a divina cura,
Para o meu ser, efémero mortal.

Joaquim Jorge Oliveira
🌹
Art. (Gustave Jean Jacquet)