sábado, 3 de dezembro de 2022

Ciúmes

Ciúmes 

 Não sei muito bem explicar
 Tão pouco falar o que vivo 
 Tudo que sinto…
 Penso eu!
Talvez seja o ciúme
 Que no meu eu, bateu as portas e atingiu o cume do meu coração!
 Às vezes penso, será isso uma ilusão?
Ou só confusão?
— O meu olhar amoroso roubado,
— O meu amor por outrem cobiçado
— E Na tristeza vou me esbarrando
— Por que o amor Já não será apenas meu, 
Porque o meu amor desviou o olhar do meu eu
perdeu-se na extensão dos belos prazeres enganosos do coração

Talvez seja ciúme
Meu coração atingiu o cume,
O tal, que os sábios haviam me dito.
Em tempos que as paixões 
eram incompreendidas...
Oh! 
Agora, tenho vivido isto, também sentido.
Realmente posso estar perdido
Na extensão de cobiçosos corações
Que aparentam solenes intenções
Para furtar flores
Plantadas com esplendores
Em nossos dois corações!

 Angelo Cândido
01.12.2022
🌹
Art. (Victor Gabriel Gilbert)

O luar 🌛🌔🌓🌒🌖🌜

XIX - O luar 

O luar quando bate na relva
Não sei que coisa me lembra...
Lembra-me a voz da criada velha
Contando-me contos de fadas.
E de como Nossa Senhora vestida de mendiga
Andava à noite nas estradas
Socorrendo as crianças maltratadas...
 
Se eu já não posso crer que isso é verdade
Para que bate o luar na relva?

Alberto Caeiro

“O Guardador de Rebanhos”. (Fernando Pessoa).

Tetsuhiro Wakabayashi, “Woman who feel the light”.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

És Bruxa 🧹🧙‍♀️🧹🧙

És Bruxa, és Mulher, és Mãe!

Faça tuas escolhas,
trace teus caminhos
e por eles vá seguindo,
tenha a Força que te sustenta
e te levanta para não cair.

É uma Força Interior
que vibra dentro da Alma
junto com uma Força Superior,
que emana de tua Deusa,
aquela que não te abandona,
que te guia sempre com cuidado
pelo caminho do bem.

Com coragem e valentia,
encare o dia a dia,
sem medo de nada, nem de ninguém,
vá em frente na tua magia.

És Bruxa, és Mulher, és Mãe! 

☘️🧡🌿

⊰Marcia Mattoso⊱

#odiariodabruxa #melenamay #bruxa #witch #bruxapoeta

Soneto, Falam as Flores !!!

Soneto, Falam as Flores!!

— Passo o tempo cuidando das flores, um belo colorido que chega a fazer ruído!
— Existem abelhas em meu jardim, polinizam sem parar…
— Fazendo a vida a brotar, “núm” vai e vem frenético estimulando a vida a nunca parar.
— Elas também incentivam o jasmim a embelezar.

— Existem borboletas de diversas cores!
— Sobrevoando as flores!
— Cuido de meus amores!
— Tenho um Deus cuidando de mim, amor sem fim!

— Admirando as flores!!
— Fico encantada com as alfazemas, que me inspiraram a escrever poemas.
— Às vezes as palavras fogem, mas falam as flores…

— Amo o perfume que elas exalam! 
— Rosas-brancas, rosas-vermelhas, rosas-amarelas, são poesias vivas…
— Que posso ver, sentir e admirar, da minha janela!

Rosely Meirelles
🌹
Art. (Carl Rohling) -1855-

Outro lado do amor.

OUTRO LADO DO AMOR!

Dois lados de um mesmo sentimento...
Felicidade suprema! Tristeza extrema!
Amor nos faz crédulos...
Crer na vida e nas pessoas.
Demoro a perceber que muitos diamantes são falsos!
Quando se dá amor gratuito, somos excluídos, estamos sós...
Nem migalhas desse amor que vai , mas não volta .
Confiamos demais na nobreza e inocência do amor!
O amor turva nossa visão para a maldade,
Nos faz moldar pessoas perfeitas, 
Engano, pessoas são falhas, e o que esperamos, não tem retorno!
O amor que guardo é para sempre, para toda eternidade!
Amor que cura cicatrizes,
Aplaina caminhos, nos faz felizes!
Olhe para o céu num noite iluminada.
Cada estrela é uma migalha de amor de um coração!
Se decides viver
Sem essa chama sentir,
Com certeza, tens medo de sofrer!

Urçulina
🌹
Art. (François Martín Kavel)

Geração

“Somos uma geração que nunca mais vai voltar. Uma geração que foi à escola e voltou a pé. Uma geração que fez a lição de casa sozinha para sair o mais rápido possível para brincar na rua. Uma geração que passou todo o seu tempo livre na rua. Uma geração que brincava de esconde-esconde quando escurecia. Uma geração que fez bolos de lama e vagou pelos lagos. Uma geração que colecionava bolinhas de gude. Uma geração que adorava pirulitos com assobio e fazia caretas quando havia pó azedo no centro do pirulito. Uma geração que fez brinquedos de papel com as próprias mãos. Geração de walkman, cassete vhs, disquete… Uma geração que colecionou fotos e álbuns de recortes. A geração que assistiu o pai consertar a TV ou ajudá-lo a ajustar a antena. Uma geração que teve pais, não idosos. Uma geração que ria baixinho antes de dormir, para que os pais não soubessem que ainda estávamos acordados. Uma geração que está passando e, infelizmente, nunca mais voltará.”

___Autor Desconhecido

O alexandrino

O alexandrino
perdido nos becos dedáleos
de alexandria odorando a
tabaco e menta
a ranço e lilases languescentes
a gema de ovo apodrecendo com polvejos de canela
a esperma azul-grisáceo-amarelento
um homem de tez oliva
um gerôncio de olho irônico transbrilhante de saberes inusitados
prazeres perversos
e minuciosa (inútil) erudição bibliotecária
mira-me
um velho fitando outro
velho – pressinto
que naquela tavarna penúmbrea
onde se bebe anis e se honora o
absinto onde
algum talvez furtivo narguilê
borbulhe fumo agridoce
coado em úmido láudano – mulheres
gregas altilíneas de narizes retos e
cabelos negro-azeviche em corte à la
garçonne frisando rostos de alvíssima
cútis e / ou call-girls egípcias esfingéticas
professional beauties de olhos amendoados e tez cigana
afloaflando narinas quase-asas na
impecável cosmética dos rostos pupilas
vivazes como áspides sim:
pressinto – e sinto mais além
que garotos bronzeados e suave-
mente musculados adônis-ganimedes
feito o efebo marmóreo de adriano (caesar
romano imperador fileleno)
entram saem açulam-se quase-
-galgos esgalgues aprumando-se
na estação da caça

Konstantinos Kavafis